9 de junho de 2009

'Ensaios sobre Reprodutibilidade' (pensamento#2)


Neste livro de José Quaresma e Fernando Rosa Dias (ambos docentes na FBAUL), encontrei o texto que vou colocar na experiência metódica/científica 'Biblioteca de Babel. Fala sobre a reprodutibilidade ao longo da história da gravura, podendo adequar-se à reprodutibilidade/remediação entre os media:

"(...) O Sistema de representação da era Moderna (dominante do Renascimento ao Barroco), passou a basear-se numa relação mimética com um modelo (natural ou ideal). A imagem era uma cópia cujo valor assentava numa comparação, remetendo para uma origem. Ela actuava na lei natural do valor. A ética e a metafísica (do homem e da natureza) sustentavam uma densidade do real a que o signo obedecia. Era uma lógica de contrafacção em que o falso surgia perante e em relação com a verdade do modelo. Era perante essa verdade, e na sua necessidade, que se exploravam os poderes da ilusão. Mas era essa mesma referência ao mundo que libertava o signo da obrigação insuperável, para o emancipar ao referenciá-lo perante o real. Já não a obrigação do signo interior de uma ordem simbólica forte, mas a relação do signo com uma autoridade ou "razão referencial"; ou seja, o "signo emancipado". Daí que nos finais da Idade Média tenham nascido simultaneamente as primeiras formas modernas de representação mimética, de cópia, de moda e de reprodutibilidade técnica."

Fernando Rosa Dias
"Representação e Reprodutibilidade" in
Ensaios sobre Reprodutibilidade


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